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Sunday, June 03, 2012

Pensamento

Aos meus amigos. (Todos eles)
 Mas queria explicar pra você, leitor que não me conhece e nunca comenta esse blog, o que é ser amigo.
Ser amigo é te conhecer na escola, aos 13 anos de idade, ter um sotaque diferente e pulseira feita de broches e manter essa amizade tão cheia de diferenças por mais de 10 anos. É conhecer sua família, entender direitinho quem é quem no jogo do bicho e dar risada de tudo. É tomar suas dores e parar de falar com 70% da turma por você. É te carregar pra um evento suspeito e te ensinar a verdadeira terapia da vida.
Ser amigo é se identificar no primeiro momento. Na primeira informação. É se gostar só porque vem da mesma cidade. É passar as madrugadas em claro simplesmente estando lá. É te dar uma rosa azul, é cantar sua música favorita no violão de manhã bem cedinho. É te dar um abraço e te dizer "eu te amo" sempre que você acha que está completamente só.
Ser amigo é trocar cartas por 4 anos, passar meses sem se falar e ainda assim sempre saber tudo sobre sua vida.
Ser amigo é te carregar bêbada pra casa inúmeras vezes. É ter as melhores aventuras pra contar com você. É entender que os EUA podem ser aqui. É te dar uma bronca muito da bem dada na hora exata e depois, ainda ser carinhosa e mostrar que está lá, e sempre vai estar.
Ser amigo é deixar você chamar sua mãe de mãe. Deixar chamar sua avó de vó e seu tio de tio. É ser seu sócio. É te mandar tomar no rabo quando você fica muito chato. É te pedir conselhos amorosos mesmo sabendo que você é o pior no assunto.
Ser amigo é te "desorientar" pra sempre. É te dar casa, comida e até roupa lavada, paçoca e sorvete sempre que vc não quer se sentir só. É te entender e apoiar, não importa a burrada que vc faça.
Ser amigo é te contar coisas dificéis de serem contadas e confiar em você. É te dar mais moral que pra um membro da própria família. É te fazer companhia mesmo a de longe. Ser amigo é dar risada de suas besteiras on line.
Ser amigo é te dar colo e música sempre. É te emprestar cama, cobertor e uma camisa pra dormir. É te sequestrar, é te carregar na cacunda. É te amar, assim, bem bonitinho.
Ser amigo é te salvar. É te dar conselhos sobre tudo, e broncas também. É ser mega carinhoso e logo depois, quando o perigo passa te dizer a verdade que você precisa ouvir e logo depois te dar um abração.
Ser amigo é entrar num carro a 200 km/h por vc. É em nenhum segundinho te julgar por NADA que você fez. Em anos, nunca, nunca julgar. É ser sempre doce e acolhedor. E cozinhar as únicas coisas que se tem vonttade de comer quando se está triste.
E assim, desse jeito, eu vi, embora tardiamente, que por mais que eu esteja só, eu nunca estou só. E que não importa quanto amor eu precise, eu sempre terei bem mais que eu mereço graças a vocês. Amizade não se agradece, já dizia um desses amigos. Mas eu agradeço ao mesmo cara que me criou desse jeito esquisito por ter criado vocês desse jeito que vocês são. Por ter deixado eu me esbarrar em cada um de vocês. Hoje, eu não preciso mais fingir que está tudo bem. Não, não preciso mais fingir que sou um ser animado e cheio de gás pra gastar por ai. Vocês sabem que eu não sou. Que eu sou estranha, chata, cheia de manias e medrosa, e dramática, e mais sensível que as estatísticas, mas saber que vocês sabem disso tudo e continuam aqui, do meu lado, querendo me ver bem, do meu jeito mesmo, me faz tão, tão, tão melhor e tão com mais vontade de ser sim alguém super astral e com gás e que caga e anda pro resto do mundo, que eu só posso mesmo agradecer.

"Custe o tempo que custar
Que esse dia virá
Nunca pense em desistir, não
Te aconselho a prosseguir
O tempo voa rapaz.
Pegue seu sonho rapaz
A melhor hora e o momento
É você quem faz
Recitem
Poesias e palavras de um rei
Faça por onde que eu te ajudarei"
 

Monday, May 21, 2012

Cara Estranho

 Mais um de mentirinha.


A outra
A outra é mais bonita. Mais baixa, cabelo completamente liso e não essa coisa que não se define. Peitos. A outra tem peitos bonitos.
A outra é segura de seus atos, conquista todo mundo porque não é medrosa, é engraçada, e nunca está de mau humor. A outra é boa em química. Em geografia e fala francês e inglês fluentemente.
A outra não julga as pessoas, e está sempre disposta a ajudar. A outra é bem resolvida no que diz respeito a relacionamentos. A outra não fica desesperada quando perde um namorado. A outra simplesmente se levanta e segue a vida. A outra tem mil amigos e nenhum nunca riu das coisas que ela fala.
A outra é corajosa, nao tem medo de bichos e gosta de esportes radicais. A outra tem talento pra música. E sabe dançar e escreve poemas. E desenha também.
A outra não existe. Infelizmente.

"Olha ali, quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber?
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer"

Tuesday, May 15, 2012

É preciso saber viver

Brinquei no facebook que minha missão de hoje ia ser escrever um conto feliz. Depois um certo Xuxu me disse "poh xu, não consegui identificar um trecho não depressivo no seu blog, escreve um texto sobre os problemas de outra pessoa que não sejam os seus", ou coisa bem perto disso. Ignorei tudo, desliguei o pc e fui tratar de ler "Os Homens que não amavam as mulheres", que Ligia me emprestou. Bom livro. Estou na metade, e apesar das cenas fortes, gosto da maneira leve com que o autor trata temas tão pesados. Enfim. Isso não é uma resenha literária e o fato é que eu impulsivamente pulei da cama, peguei o computador, liguei-o e resolvi escrever sim sobre uma outra mulher que tem problemas ( como todas as mulheres do mundo).Um dia desses cheguei na casa dela tão, tão triste que quando ela me recebeu com tanto amor e sorrisos fiquei constrangida. Que direito eu tenho de reclamar da vida?

Apenas um detalhe.

Tinha uma vida perfeita. Ou quase. Um casamento, um filho. Pais vivos, irmãos e uma sobrinha. E um dia, um dia como outro qualquer, como todos os dias em que coisas ruins acontecem, uma coisa ruim aconteceu. Um caminhão, um ônibus, um choque, muitos gritos, um acidente e só ela sobreviveu. Ou não. Acho que ali, naquele dia ela morreu. E nasceu uma outra mulher. 
Foram meses num hospital. Foram várias cirurgias, um processo contra a empresa de ônibus, um erro médico e um divórcio que fizeram a outra mulher nascer em seu lugar. 
A outra mulher, que agora era ela, nasceu quando precisou se adaptar a uma nova vida. A uma nova história. E ah, como ela mudou... Ficou mais bonita, mais madura, e incrivelmente mais feliz. Uma vez disse pra uma repórter "se eu tivesse que passar por tudo isso de novo pra aprender tudo que aprendi, eu passaria. Se me dessem a escolha de nao ter passado por tudo e não ter aprendido nada que eu aprendi, eu escolheria tudo de novo..." 
A cadeira de rodas no começo deve ter sido um choque, foi um choque. Foi doloroso. Mas ela estava viva. Hoje a cadeira é meio de transporte e apenas, e somente um detalhe pra quem olha de perto. Ela é linda, loira, bem sucedida. Se apaixonou, novamente, teve um outro filho quando todo mundo achava que ela não podia fazer mais nada da vida. Riu na cara da sociedade. Ri da cara da sociedade toda vez que aparece super produzida e dançando numa festa. 
Ela namora, seduz por onde passa. Mas nem tudo são flores. Ela tem TPM, e chora, e sofre às vezes. E tem que lidar com um filho adolescente que tem o dobro de seu tamanho e metade do seu charme. E tem que cuidar do filho de 5 anos, que precisa fazer tarefas escolares e não riscar as paredes do apartamento. E as vezes, eu acho, ela sente falta de algumas coisas.  E se sente frágil às vezes também, como todo mundo se sente. E apesar de ser tão diferente de todo mundo, por sua história, que fique claro, e não por seu meio de locomoção, ela é tão igual a todo mundo. Com problemas, com dores, com amores, com receios, e com reações surpreendentes.
Ela disse pra repórter "é preciso saber viver". Disse três vezes. Chorou um pouquinho, de emoção que fique claro. Contou todos os detalhes de sua vida, mas ao final, disse que passaria por tudo de novo só pra aprender o que aprendeu. 
E você, o que faz com seus problemas? E eu? O que tenho feito com os meus?

"Toda pedra no caminho
você pode retirar"

Monday, May 14, 2012

Maluco Beleza

Pronto. Cá estou me obrigando a estar. Me obrigando a escrever. Ou seria melhor dizer, me permitindo? Antigamente, ou melhor, ali atrás, no tempo, eu escrevia com tal facilidade que se não parasse era capaz de passar o dia atualizando esse blog, contando as coisas da minha vida em metáforas. Era uma compulsiva nessa arte da exposição, de me mostrar, de dizer quem eu era, quem eu sou e porque sou. Hoje em dia o tema continua o mesmo, que fique claro, mas a frequência mudou. Com o passar do tempo aprendi a selecionar o que escrever,o que colocar pra fora. Não pelo que os outros iam pensar, é que acabei percebendo que quando escrevo realmente coloco pra fora aquilo que tá lá, entranhado na minha cabeça ( e às vezes no meu coração, quando eu acho que tenho um). E bem, quando coloco pra fora, sou obrigada a encarar, e veja só, às vezes é complicado olhar pra dentro de si mesmo.
O fato é que passei um tempo longe, guardando as coisas que eu sentia e percebi que me fez muito pior do que encarar meus textos, minhas palavras e sentimentos de frente. 
Andei morrendo por ai, sabe? Tendo falta de ar e palpitação, um nó na garganta que parecia me sufocar. Sintomas físicos mesmo, nenhuma metáfora aqui. Medo, pânico, angústia e ansiedade, todas essas coisas que a maioria das pessoas sente mas cura rapidinho com uma corrida na orla ou o telefonema de uma pessoa querida, mas que me faz precisar de remédios. 
Veja só, não me faz vergonha mais dizer que sim, e dai, tomo antidepressivos e ansiolíticos de vez em quando. Faço terapia ( 2 vezes na semana, se querem saber) e não, não sei lidar com minhas emoções exarcebadas. E daí? É dolorido pra mim, e engraçado pra quem convive comigo, porque afinal, eu faço piadas com isso, e encaro numa boa ser assim, maluquinha. O problema é quando as piadas acabam. Quando eu chego em casa e tenho que me olhar no espelho. Me encarar. Problema é quando no meio da análise eu me deparo com um tema que "prefiro não falar sobre isso agora". Não falo, tudo bem, mas ele fica ali, na superfície da minha memória, como se não bastasse o trabalho todo que dá esconder uma coisa da sua memória, vem alguém e te grita: "ei! lembra quando você fazia terceira série e não tinha nenhum amigo?" .
Talvez eu esteja superando isso nesse momento, ao falar assim, abertamente sobre como me sinto de verdade. Brinco dizendo que meus problemas todos apareceram na infância. Mas olha só, você estranho ( ou não) que me lê, os seus também. Os de todo mundo. Só que eu preciso de remédios. E terapia. E colo e dengo, porque também não sou de ferro.Eu fico com raiva descontroladamente para logo depois amolecer meu coração e deixar tudo pra lá. Veja só se isso é coisa de gente normal! 
Eu não sou normal, e sabe, acho que estou começando a achar isso divertido.

"Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Maluco total"

Tuesday, April 24, 2012

A minha sorte se afasta de mim
E eu de cá ,
Penso que é tão difícil
Ficar assim:
Só.
Com tanto amor.

ps.: Sem título, sem música. Foi-se embora a sorte, foi-se embora a inspiração, a calma. Nem a música me cura.

Monday, April 16, 2012

Fall In Light

Escreve assim para esquecer as coisas, as dores, as tristezas que aparecem o tempo todo, do nada. Quando fica tudo calmo, quando parece que tudo é só alegria, vem aquela brisa lhe soprando no ouvido: "quem te deu o direito de ser assim, feliz?". E ai é angústia. São as mechas de cabelo na escova, as noites sem dormir um sono tranquilo, a fome compulsiva, os enjôos e o revirar do estômago. É a falta de concentração, a falta de vontade de fazer qualquer coisa, o arrastar das horas. É a falta. 
Enquanto isso duas vozes na sua cabeça a gritar. A primeira a dizer sem o menor cuidado: "para de drama, todo mundo fica triste e ninguém nunca morreu por isso. Seja forte, você é gente ou um saco de batatas?" 
A segunda a replicar: "Para com isso, se trate, se cuide, seja forte e aguente o que vem por ai. Você está colhendo tudo o que você plantou". No meio dessa confusão de gritos a única coisa que ela sabe que vai fazer a dor passar é dormir. Dormir, dormir pra não pensar, não fazer besteira. Não as besteiras que ela faz quando fica assim. Mas não tem sono. Ai escreve, escreve, escreve. Lê um monte de livros, arruma o que estudar, sorri pra todo mundo, conta uma piadinha enquanto procura um médico. Tenta disfarçar o que ela já sabe que é: uma fraca. Mas e daí que tem gente que é assim mesmo? Ela não queria ser assim, e por isso finge, finge, finge. Finge que o estômago embrulhar é por causa das besteiras que come na rua. Finge que a falta de sono é o uso excessivo da internet. Finge que está sempre rindo e fazendo piadas infames, e que está sempre tudo bem, e que só precisa  ficar bem tranquila que tudo vai embora, tudo vai passar...Como se fosse fácil, só esquecer.

"Fall in light, fall in light, fall in light
grow in light
stand absolved
behind your electric chair
... dancing...
stand absolved
behind your electric chair
singing"

Saturday, April 07, 2012

Samba a Dois

Mistérios da meia noite. Bem simples assim. Coisas que nos surpreendem, sonhos que nos deixam acordada. Ultimamente tenho sonhado muito e dormido pouco, como quem se cansa de fechar os olhos e deseja que os dias tenham mais horas pra se realizar tudo que se tem vontade. Entre um sonho ou outro acordo e por alguns segundos penso se foi ou não real. Dizem que nos sonhos as almas se encontram. As almas vão pra onde querem ir. Algumas vezes é assustador, mas ainda assim é bonito e eu tenho vontade de não acordar. Outro dia sonhei com meu bisavô. O homem que eu mais amei na vida. Outra vez sonhei que tinha me perdido de minha avó e minha mãe me culpava por isso até que nos reencontravámos. Em outro sonho eu ia embora pra outro estado e me via dirigindo por toda a BR 116. Sonhos. Tudo não passou de sonhos. E de cá, quando acordada, realmente acordada, ando mesmo com vontade de sambar.
Um samba assim pra me aquecer. Um samba a dois. Um samba miudinho, um pé atrás do outro, na malandragem, na maciota, pra ir assim levando a vida devagarinho, como quem espera. Um samba de olhos fechados pra sentir a música, hora devagar, hora mais ritimada. Um samba. Minha vida merece um samba. Meus sonhos merecem uma valsa. E eu de cá gosto mais é de sambar.

"Não, eu não sambo mais em vão
O meu samba tem cordão
O meu bloco tem sem ter e ainda assim
Sambo bem à dois por mim
Bambo e só, mas sambo, sim
Sambo por gostar de alguém,
"